6 de nov. de 2010

Dexter - S05E06 - Everything Is Illumenated

 Spoiler Alert! No último episódio de Dexter, ficou bem claro para mim que uma das tramas a serem exploradas nesta Temporada é a já tão batida tentativa do pobre Dexter de "criar" uma duplicata dele mesmo. Se a relação com Lila (Segunda Temporada) tivesse continuado, não tenho dúvidas que o Sargento Doakes seria a pedra fundamental de um prolífica carreira como incendiária. O Promotor latino da Terceira Temporada foi outra tentativa frustada - que dispensa comentários maiores. Se incluirmos o garoto que comete suicídio na Primeira Temporada e o  próprio Harrinson na Quarta Temporada, veremos que esse tema é uma das linhas mestras da série. Tenho Fé na Lumen - e queria que tudo desse certo para eles. Ela, de certa forma, preenche as características da própria Rita no começo da série (super damaged!) - além de possuir alguma semelhança física. Não é difícil de se imaginar algumas situações possíveis de se acontecer no desenvolvimento da trama: Debra flagrando o Dexter em alguma situação com a Lumen, por exemplo (e lhe dando uma bronca) - ou mesmo o desenvolvimento de uma autêntica conexão entre os dois, quem sabe?

3 de nov. de 2010

Supernatural - S06E06 - You Can't Handle the Truth


O episódio desta semana de Supernatural foi (mais) um excelente episódio de umas dasmelhores da melhor temporada até agora. Confesso que quando assisti aos primeiros episódios da saga dos Winchester - pela Warner - achei que esta não fosse durar muito. O final bombástico da primeira temporada, no entanto, ajudou a catapultar esse pensamento para longe - e, desde então, a série tem sido uma sequência de gratas surpresas. Eu tenho uma desconfiança natural quanto a séries que usem o modelo adotado por Supernatural - modelo este que alterna episódios do tipo "monstro da semana" com a construção em paralelo de uma mitologia que se propõe a "amarrar" a trama em um arco maior - e isso desde Arquivos X. 
 
Isto acontece por duas razões básicas, A primeira delas é que - pelo menos assim eu tenho percebido -, com o passar do tempo, o arco mitológico tende a se impor sobre os episódios one-shot - o que faz com que a série perca a vitalidade em si, podendo descambar para uma série de meta-intrigas e fosforilações intermináveis. A segunda razão é que arcos mitológicos - por mais intrincados e bem construídos que sejam -  tendem a eventualmente se resolver além de qualquer complicabilidade (inventei essa palavra) posterior, o que "quebra" o modelo mitologia versus monstro da semana de uma forma por vezes irreparável. 

Foi assim com Arquivos X : muito pouca gente se apercebeu, mas toda a trama de Arquivos X se resolveu do quarto para o quinto ano. Quando digo "se resolveu" digo exatamente isto: foi tudo inequívoca e absolutamente explicado. Por volta do meio do quinto ano, o expectador de X-Files moderadamente atento já sabia: (1) que fim levou a irmã de Mulder (e detalhes deste fim); (2) porquê (e por quem) ela foi levada;  (3) qual a relação do Canceroso com a família do Mulder; (4) qual a natureza exata da conspiração alienígena e (5) o que era e pra que servia - e de onde tinha vindo - o esquisitíssimo óleo negro. Ou seja: toda a trama que se constituia na mitologia da série já havia sido derrubada. Os quatro anos seguintes aconteceu o que todo mundo sabe: a série foi se arrastando de asa quebrada até um final um tanto quanto melancólico. Ela não sobreviveu à explicação de sua própria mitologia - e isto não é verdadeiro apenas para séries de TV.

Supernatural tem conseguido driblar de forma muito eficiente esta falha potencial do modelo através da contínua e operosa construção e reconstrução de mitologias uma em cima da outra. Desta forma, a saga do "demônio de olhos amarelos" deu origem à saga de Lilith, que deu origem a saga de Lúcifer, que deu origem à atual busca pelos "artefatos angélicos" espalhados pela Terra. Isso tudo de uma forma bem criativa, bem costuradinha - com um mínimo de transição perceptível. Eventualmente, no entanto, a saga dos irmãos Winchester terá de chegar ao fim: isto porque esta chegará a um ponto onde simplesmente não será mais possível escalonar os inimigos a serem combatidos. Existe, dentro do sistema de crenças judaico-cristão, um "teto" que não pode ser ultrapassado - e ao passar das meras escaramuças com demônios para a guerra civil celestial, Dean e Sam se aproximam, muito rapidamente, deste teto. Spoiler alert! Uma prova disto é a relativa facilidade com que eles dão conta - neste episódio - de uma entidade de status divino, o que comprova, de uma vez por todas, que eles não são mais o Dean e o Sam do primeiro ano.

Para mim, este episódio foi o melhor da temporada: única exceção feita ao Weekend at Bobby's", um episódio todo narrado pela perspectiva de um personagem - sejamos francos - absolutamente secundário mas que se mostrou extraordinariamente interessante - talvez justamente por reviver o aspecto humano que a dupla Winchester vem perdendo - de naco em naco - a cada temporada que passa.

2 de nov. de 2010

Nerdcast 232 - Monstros

Este post é escrito especificamente para os que ouviram o Nerdcast 232 e 233. Se você chegou aqui por algum motivo e não os ouviu vá aqui e aqui - e depois retorne. 
  
Ouvindo a leitura de e-mails do Nerdcast 233 - me incomodou a dificuldade do JN e do Azaghal em definir o conceito de monstro - justamente que havia sido o tema do Nerdcast anterior- "Dragões, monstros e o impronunciável Cthulhu". Este post é uma tentativa de colocar alguma luz sobre este conceito - que é, por sua própria natureza, refratário a esta iniciativa. 

Definido o que é "monstro":

O conceito de " monstro" deriva de três noções básicas que se articulam:

(1) Existe uma Ordem no mundo;
(2) Esta Ordem não é perfeita - e, ocasionalmente, falha;
(3) Quando esta Ordem falha - aí, neste vão, neste espaço, surgem os monstros.

(Poder-se-ia argumentar aqui que a falha na Ordem é - por si só - um Ordem em si mesma  - mas não vamos entrar neste debate - por demais filosófico para este Blog.)

Estes três conceitos ficam fáceis de se entender a partir da contemplação do quadro de Goya (ao lado), intitulado "O Sono da Razão Produz Monstros". A razão, aqui, não é a razão humana - mas a razão na Natureza - o princípio de Ordem  e razão presente na Natureza.

Como base nestes três pressupostos o monstro - seja ele qual for - é sempre exceção e sempre um desvio da Ordem natural das coisas - é sempre algo que não deveria existir. Muitas vezes, também, os monstros se localizam/originam de lugares ermos ou inacessíveis - o que serve para representar fisica e geograficamentemente o seu caráter de exceção. O monstro, além disso, tipicamente se propaga - quando tal ocorre, de forma não-biológica e não-natural - ou possui uma duração indefinida, o que o exime da necessidade de reprodução. 


Respondendo às dúvidas do Nerdcast:

Desta forma, usando a lista dada pelo próprio Nerdcast (leitura de e-mails do 233) como exemplo:
 
Gremlins (os do filme de mesmo nome) são monstros.
Lobisomens - como em The Wolfman (2009) - são monstros. Lobisomens - como em Anjos da Noite (2003) - não são.
Drácula - de Lugosi, de Lee ou como em Bram Stoker´s Dracula (1992), por exemplo - é um monstro.
A Múmia - como no clássico de 1932, The Mummy bem como na versão-pipoca de 1999 com  Brendan Fraser - é um monstro.
Frankenstein - de Karloff, por exemplo, mas também o Mary Shelley's Frankenstein (1994) - também é.
Zumbis sobrenaturais são monstros. Zumbis científicos não são.
O caminhão de Encurralado e o Tubarão - de Jaws - não são monstros
Freddy Krueger é um monstro (como não?). 

Detalhando: 

Gremlins: tanto na sua forma Mogwai quanto na forma réptil - são monstros, porque: (1) existem em caráter de exceção (quem lembra bem do primeiro filme de 1984, nã ovai deixar de perceber que o Mogwai é tratado como um "animal" raro/exótico); (2) se reproduzem de forma não-biológica (quantos animais você conhece que se multiplicam ao se adicionar água?). 
Lobisomens: os Lobisomens do filme recente (e belíssimo) The Wolfman (2009) são seres de exceção - que só existem em um local (vilarejo) remoto, etc. - e  se propagam de forma, evidentemente, não-natural. 
os Lobisomens (e também os Vampiros)  vistos em Anjos da Noite (2003) e que se constituem em uma verdadeira comunidade de existência paralela à da Humanidade não são monstros - são, no máximo, um espécie diferente da humana, com peculiaridades próprias. 
Drácula: o Drácula do livro de Bram Stoker é de fato o monstro por excelência: existe em caráter de exceção (não há menção a outros vampiros no livro - tirando, evidentemente, as "noivas") e em lugar remoto não-sujeito às leis da civilização (algum lugar dos Cárpatos,  "esta terra onde o diabo ainda caminha com pés humanos", como o infeliz Johnatan Harker escreve em seu diário). Menções no Cinema - e posteriormente nas séries de TV - a toda uma raça de vampiros existindo em paralelo à humana são invenções muito, muito recentes.
A Múmia: contanto no no clássico de 1932 - com Karloff - bem como nos  dois primeiros filmes da Trilogia recente com  Brendan Fraser, a Múmia é encarada como um caráter de exceção. No  primeiro filme (1999), inclusive, é claramente colocado que o simples fato da Múmia ter retornado à vida é algo tão grave, tão sério, que desafia de tal maneira a ordem natural das coisas que o mundo começa a experimentar os sinais do Apocalipse. - ou seja, de ruptura iminente da Ordem. (No segundo filme isto é abertamente esquecido: e vemos a Múmia em forma plenamente humana andando pra lá e pra cá sem que nada de mais aconteça). 
Frankenstein: o simples fato de as pessoas se referirem ao monstro de Frankenstein já seria algum indicativo do seu caráter monstruoso. Aqui há algo interessante: no livro de Mary Shelley, a criatura chantageia o seu criador para que lhe construa uma companheira - esta também feita de pedaços de cadáveres. O plano do monstro - se não me falha a memória - é tomar a sua companheira e seguir para algum lugar ermo onde viveriam happily ever after. Não haveria nenhum impedimento - até onde eu imagino - de o  monstro de Frankenstein meramente raptar uma humana qualquer e seguir no seu intento - mas este quer que seja alguém igual a ele - e que partilhe do mesmo caráter de exceção em relação à Humanidade.
Zumbis: os zumbis sobrenaturais são monstros porquê representam uma violação da ordem natural ("Quando não houver mais espaço no Inferno os mortos caminharão pela Terra"): Já os zumbis científicos não são monstros: são, no máximo, pessoas doentes. Isto suscita um dilema ético importante pois, a qualquer momento, poderia surgir uma cura que os revertesse à normalidade. Eu, por mim, sou á favor da volta aos zumbis tipo Romero.
O caminhão de Encurralado: não é um monstro propriamente dito - pois não partilha de nenhuma carcterística "monstruosa" - mas foi tratado no fime como um monstro - como o JN bem ressaltou.
Tubarão: esse é realmente difícil. É fácil perceber que King Kong e Godzilla são monstros, mas o Tubarão (de Jaws) é complicado. Embora este também tenha sido tratado de forma algo monstruosa no filme - do mesmo Spielberg - um tubarão é um tubarão - e, verdade seja dita, o número de vítimas humanas fatais por ataque de tubarão é insignificante perto do que nõs como espécie fazemos com os tubarões todos os anos (são milhões de mortos). Neste caso, nós somos os monstros!
Freddy Krueger: quem lembra bem dos primeiros filmes de A Nightmare on Elm Street (e o título já diz tudo: "Um Pesadelo na Rua Elmo") sabe que a origem de Freddy Krueger está ligada a algo que aconteceu na cidade de Springwood - e sua atividades oníricas estão especificamente relacionadas aos filhos das pessoas responsáveis pela sua morte. Inclusive, se bem me recordo, haveria uma limitação para o alcance de sua atividade - que não se extendia além dos limites da cidade,  pelo menos em alguns dos filmes. (A mesma coisa ocorre com Jason Voorhees que - pelo menos nos primeiros filmes - tem a sua existência e raio de atuação mais ou menos ligada a Crystal Lake.)

E Cthulhu?

Sobre a discussão de Cthulhu ser monstro ou alienígena esta é uma questão de díficil resolução - e muito provavelmente assim o é porquê Lovecraft nos quis deixar mesmo na dúvida. Embora, por um lado, Cthulhu pertença a uma espécie (embora de origem "nas estrelas") bem definida - que teria reinado na Terra antes da Vida como a conhecemos ter evoluído - por outro lado, ele e os da sua espécie não existem exatamente no mesmo contínuo espaço-tempo que a espécie humana - eles existem "no espaço entre os mundos" - ou seja, nos intervalos na Ordem. 

Na mitologia Lovecraftiana, a existência da espécie humana é tão mais episódica, é tão mais acidental, tão mais fortuita e frágil que todo o restante do Universo que - dentro desta mitologia, o ser humano - em toda a duração de sua espécie na Terra - é, na verdade, o  verdadeiro monstro. Assim, quando se diz que Cthulhu dorme e que, quando este acordar a espécie humana terá fim, podemos claramente perceber que - nesta visão Lovecraftiana - Cthulhu é o sonhador do quadro de Goya - e a espécie humana são os seres que só existem enquanto este se encontra adormecido.

Respondido, Azaghal? =)

The Walking Dead (2010)

Assisti o primeiro episódio de The Walking Dead  de espírito aberto, tentando não fazer comparações com a HQ - que já tinha conhecido previamente e adorado! Posso dizer que fiquei bastante satisfeito com o resultado desta adaptação que - com toda  a certeza - agradará a todos aqueles que leram e gostaram do comics - como eu - e também aqueles que não estão familiarizados com as desventuras do policial caipira - e nosso (anti-)herói - Rick Grimes. Na verdade, só uma coisita me incomodou - uma coisita de nada, piquitita, mas que acredito  que vale a pena falar aqui.

Já tivemos a ocasião de falar aqui dos dois tipos de zumbis: os zumbis científicos e os zumbis sobrenaturais - e das importantes diferenças entre eles. Me parece existir uma contradição na maneira como os zumbis foram representados neste primeiro episódio de The Walking Dead: se por um lado eles são bem ágeis - o que os coloca do lado dos zumbis científicos - por outro lado, o nítido processo de decomposição definitivamente os coloca na categoria de zumbis sobrenaturais. Embora eu compreenda que o que  muito provavelmente aconteceu aqui foi uma tentativa de aliar as "melhores" características de cada tipo de zumbi - a agilidade dos científicos e a escatologia dos sobrenaturais - isso francamente me incomoda.

Eu tive a impressão - na HQ - que os zumbis do Universo de The Walking Dead eram aberta e claramente sobrenaturais. Um dos argumento a favor desta hipótese é que - na HQ - todo mundo que morre - independentemente do motivo/causa mortis - torna-se zumbi quase que imdiatamente após a morte: e um sinal gráfico disto - novamente referindo à HQ - é  justamente um "clarão" que cerca o recém defunto após o trespasse.

Além disso, na HQ, os zumbis muito excepcionalmente se movem em uma velocidade superior à de uma pessoa normal caminhando sem pressa - donde o nome "Walking" Dead, os mortos que "caminham". Na cena da cidade, achei que alguns zumbis estavam excessivamente "empolgados" em perseguir o nosso herói caipira. Como metade da alegria de se assistir uma adaptação - de qualquer coisa - é justamente reparar nestas desemelhanças, acredito que estas pequenas incoerências serão mais uma fonte de interesse - e posts - para os próximos episódios. 

Em tempo: no dia 05/11 às 22 horas (aqui no RJ, pelo menos) o NatGeo pega uma caroninha no hype com o documentário "A Verdade sobre os Zumbis". Vou tentar assistir! 

Nota Nerd: A Revista Galileo, por sua vez,  publicou nesta sua última edição uma pequena reportagem sobre os mortos-vivos, na qual cita especificamente a estréia de The Walking Dead. Achei o link para a reportagem aqui. Vale a pena ler toda a matéria, mas o destaque vai para o pequeno Guia ao final de "Como Sobreviver a um Ataque Zumbi", muito bem escritinho - e muito divertido. Só uma incorreção, ao meu ver: a reportagem refere o surgimento do zumbi científico ao filme Extermínio (2002) quando, na realidade, se fossêmos buscar uma origem histórica, acertaríamos mais se os relacionássemos ao filme Resident Evil, do mesmo ano - este, por sua vez derivado do jogo para PS bem anterior (1996).

1 de nov. de 2010

Monster (2005)




Monster é um anime de 2005 baseado - como é de regra no reino dos animes - em um mangá anterior de mesmo nome (2002). São 74 episódios densos, pesados, incrivelmente bem dirigidos e - em sua maioria - fascinantes. Neles acompanhamos a trajetória do Dr. Tenma - médico brilhante e idealista - e de seu antagonista - o Monstro do título. Estes dois representam - por assim dizer - os pólos extremos da moralidade humana - o Bem e do Mal - sendo que, no intervalo entre um e outro, desfilam os mais interessantes personagens - compostos, cada qual, de alguma mistura destes dois princípios eternos.

A trama serpenteia e nos surpreende com as mais extraordinárias reviravoltas e desfechos e não encontrei até agora (estou no capítulo 62) um episódio ruim - ou mesmo mediano. Muito embora - como é de se esperar - em uma trama tão longa devam existir episódios cuja função é meramente "ligar" os arcos maiores da história que está sendo contada, mesmo assim, estes episódios de ligação não decepcionam e guardam sempre alguma surpresa para quem os assiste.  

Monster é, de fato, uma obra-prima dos animes que merece ser conhecida - principalmente para os não-apreciadores de animes.

Merlin S03E08 - The Eye Of The Phoenix - 2010


Merlin é Smallville com Magia. 

O último episódio, The Eye Of The Phoenix , surpreende ao aproximar a trama do seriado com a mitologia: ao introduzir a figura do Rei Pescador - tão importante para o ciclo arturiano - já nos minutos iniciais do episódio (pré-abertura). A participação especial de Warwick Davis - o personagem-título do clássico Willow na Terra da Magia (1988) e também da série O Duende - foi - para mim - uma grata surpresa.

Eu confesso que estava algo decepcionado com o desenrolar do seriado desde o seu retorno. Quando a terceira temporada de Merlin se iniciou, achei que os personagens principais  - supostamente adolescentes - estavam muito diferentes, demasiadamente crescidos e com os rostos estranhamente angulosos - pensei até que era a maldição de Harry Potter fazendo mais uma vítima. Morgana, por sua vez, começou a fazer risadinhas malignas aqui e acolá - apenas quando ninguém esta olhando, claro, para não despertar suspeitas. Os episódio do tipo monstro-da-semana (ou, pior, vilão-da-semana) passaram a ganhar mais destaque (e o que foi aquele episódio do Goblin, pelo Amor de Deus!). O episódio The Eye Of The Phoenix, no entanto, reacendeu as minhas esperanças - senão de uma reversão total da situação, pelo menos de um desfecho condizente com o ritmo das duas temporadas anteriores. No resta - apenas - esperar para ver!

31 de out. de 2010

Brimstone (1989)


Após um longo hiato, resolvi postar sobre esta série que passou por aqui pelo AXN de forma bem irregular - e que eu tive a sorte de assistir em tempos pré-banda larga.

A trama é muito, muito simples: 113 almas escapam do Inferno e cabe ao detetive Ezekiel "Zeke" Stone - ele também um condenado trazido de volta à vida - mandá-los de volta. Se conseguir cumprir a sua missão - assim, pelo menos, lhe prometeu o coisa ruim, vivido de forma magistral por John Glover (o mesmo ator que fez o pai de Lex Luthor em Smallville) - ganhará uma segunda chance na Terra. Se não conseguir... bom, digamos que ele não irá parar em nenhum lugar pior do que ele já esteve!

A série foi um fracasso fenomenal, não emplacando nem mesmo uma temporada completa. Acredito que isso possa ter acontecido, em parte, pela forma extremamente simpática com que John Glover "incorpora", por assim dizer, o seu personagem. O jogo de gato e rato entre o detetive Stone e o seu - digamos - contratante é, com toda a certeza, o ponto alto de cada um dos 13 episódios produzidos.

Algo que chama a atenção em Brimstone é a falta relativa de mulheres, o que se deve, talvez, ao fato de ser uma fábula tipicamente masculina - na qual a redenção do personagem-título é o tema principal e norteador de todos os episódios. 

Brimstone atrai sobremaneira pelo Universo mítico muito bem trabalhado. Os fugitivos- que na sua condição de ressuscitados são praticamente indestrutíveis - possuem apenas uma fraqueza: os olhos, que devem ser destruídos para findar a sua existência terrena. Todos os fugitivos são extremamente tolerantes ao calor, possuem grande capacidade de regeneração e também não sentem fome ou sede - estas características são como que resquícios de sua passagem pelo Hades. Este detalhe é interessante pois nos ajuda - por vezes - a identificar um vilão antes mesmo que este nos seja formalmente apresentado pela trama. Cada fugitivo possui também uma habilidade especial - que é tão maior ou mais desenvolvida quanto o tempo que ele passou lá por baixo. Como o detetive Stone passou apenas 15 anos defunto - e tem que lidar por vezes com fugitivos com milhares de anos de "apuro", digamos assim, de suas capacidades sobrenaturais - não é difícil imaginar que ele apanha consideravelmente em praticamente todo episódio.

A atenção a estes - e outros - pequenos detalhes criam um diferencial extraordinário para esta série prematuramente finda, ao meu ver. Temáticas semelhantes foram abordadas na série canadense The Collector (2004) e no recente Reaper (2007).

Em The Collector, o fato de o Diabo ser interpretado a cada episódio por um personagem diferente talvez tenha sido (quem sabe?) uma tentativa de se evitar que um ator que o interpretasse "roubasse" a cena - como quase aconteceu em Brimstone. Não deu certo.

Reaper praticamente surgiu natimorta ao escalarem o veteraníssimo ator Ray Wise (de Twin Peaks) para o papel do coisa ruim - e que praticamente "engoliu" o primeiro ano da série. Foi um espanto ter durado duas temporadas - apesar do estilo cômico-escrachado, sem se levar nada a sério.

Ambas as séries acima citadas são muito boas - e possuem os seus méritos próprios - mas quem gostou delas fará muito bem em procurar assistir Brimstone - pois com toda a certeza não se decepcionará.

Melhor episódio: Lovers (9)
Pior episódio: It's a Helluva Life (12)
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