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22 de nov. de 2010

Supernatural S06E09 - Clap Your Hands If You Believe

Spoiler Alert!  “Serão os UFO’s Fadas?” Este foi o tom do episódio de Supernatural desta semana. Embora possa ter surpreendido a muitos, esta tese não é nova: ela já aparece no livro Passaporte para a Magônia (1969), de Jacques Vallée – um dos maiores e melhores best-sellers ufológicos de todos os tempos. 

Neste livro, Vallée faz uma análise intensa dos avistamentos de seres voadores na era pré-industrial - o que inclui bruxas, fadas, elfos, etc. - e os compara com os modernos avistamentos de UFO’s, percebendo coincidências notáveis - muitas coincidências - entre um e outro conjunto de avistamentos.  Tudo o que Vallée fala faz todo o sentido: se você examinar a literatura envolvendo os seres sobrenaturais folclóricos da europa medieval verá que já está tudo ali: carruagens  naves luminosas, círculos nas plantações (crop circles), abduções, lapsos de tempo, visitações noturnas, etc. Este paralelo já era conhecido do meio ufológico antes mesmo do livro de Vallée - e era visto como uma "prova" de que UFO’s já existiam de ganharem este nome, em meados do século XX.  [Jung também já havia demonstrado a continuidade entre os dois conjuntos de avistamentos no seu "Um Mito Moderno sobre Coisas Vistas no Céu" (1958) - atendo-se mais, no entanto, ao aspecto psicológico do fenômeno.]

A grande sacada de Vallée - genial, se me perguntarem - foi a de propor a seguinte questão: e se os avistamentos de UFO’s no século XX fossem "prova" de que os mesmos fenômenos reputados pelos antigos continuam acontecendo em nossa era tecnológica - e não o contrário?  (ou seja, "E se os UFO’s fossem Fadas ao invés das Fadas serem UFO’s?") Para resumir beeeeeeeeeem o desenvolvimento do livro, Vallée acaba concluindo que se tratam de seres extradimensionais que tendem a ser percebidos diferentemente de acordo com o paradigma cultural vigente: "fadas" para as populações agrícolas da europa medieval e "espaçonaves" para nós. Jóia, não?

Esta abordagem fica bem clara neste episódio de Supernatural: na parte em que o elfo-mor afirma que, por serem de uma dimensão paralela à nossa não teriam quaisquer dificuldades de resgatar a alma de Sam da jaula. Perceberam?

No mais, o episódio de Supernatural desta semana foi bem legal – apesar de meio bobo. Agradou também a abertura estilo Arquivos X  -  muito bem feitinha - e agradou aos saudosistas das aventuras de Mulder e Scully - como eu. Espero que seja o início de uma retomada na qualidade dos episódios que, como tivemos a oportunidade de comentar, andaram bem ruinzinhos.

Notas: 

- Coloquei o Spoiler Alert! no início deste post apenas por excesso de zelo, já que o próprio título do episódio - "Bata Palmas se você Acredita" - já é um Mega Spolier! Esta é a fórmula para curar a Sininho no livro de J. M. Barrie,  Peter Pan. Também é um pouco gozação/homenagem - pelo menos assim eu o achei - com o I Want to Believe de Arquivos X.

- Em outro post comentamos sobre como o livro Eram os Deuses Astronautas?, de Erich von Däniken influenciou clássicos como Battlestar Galactica e Star Trek (as séries clássicas, pelo menos). Este episódio de Supernatural retoma o tema com outra abordagem: será coincidência? (brincadeirinha)

- A figura que escolhi para abrir este post é de um afresco sobre a Crucificação datado do século 14 (!) - o link para o verbete da Wikipedia sobre o monastério no qual está localizado o afresco está aqui! Não tem nada a  ver com fadas - que é o tema deste episódio de Supernatural - mas é legal assim mesmo! A imagem inteira coloquei aí embaixo - para se pensar!

14 de nov. de 2010

Supernatural - S05E08 - All Dogs Go to Heaven

Não se pode elogiar! Depois de eu dizer que esta era a melhor temporada de Supernatural até agora, fui presenteado com dois dos piores episódios que já tive a oportunidade de assistir!  (Até então o pior episódio de Supernatural para mim era aquele passado em um estúdio de cinema., no qual está sendo rodado um filme de terror, lembram desse?) O último episódio, All Dogs Go to Heaven atingiu - espero - o fundo do poço! Os 5 ou 6 minutos nos quais aparece o ator Mark Sheppard foram, basicamente, o que sobrou - não havendo mais nada para se apreciar.  Spoiler Alert! E eu até agora estou tentando entender: se os caras são shapeshifters, porquê eles só viram cachorro! Sem explicação!

Nota: Os dois últimos episódios introduziram um novo elemento que pode vir a se tornar um plot da temporada: o da busca pelo Purgatório. Não vou me aprofundar neste tema, mas foi dito no episódio Family Matters que os seres sobrenaturais - pelo menos aqueles com existência corpórea, como vampiros, lobisomens, skinwalkers, etc. - vão para o Purgatório quando morrem. Do ponto de vista da Teologia de Dante - que é citado no episódio em questão como referência - isso não faz o menor sentido! Vamos aguardar para ver como os roteiristas vão desenvolver isso aí!

3 de nov. de 2010

Supernatural - S06E06 - You Can't Handle the Truth


O episódio desta semana de Supernatural foi (mais) um excelente episódio de umas dasmelhores da melhor temporada até agora. Confesso que quando assisti aos primeiros episódios da saga dos Winchester - pela Warner - achei que esta não fosse durar muito. O final bombástico da primeira temporada, no entanto, ajudou a catapultar esse pensamento para longe - e, desde então, a série tem sido uma sequência de gratas surpresas. Eu tenho uma desconfiança natural quanto a séries que usem o modelo adotado por Supernatural - modelo este que alterna episódios do tipo "monstro da semana" com a construção em paralelo de uma mitologia que se propõe a "amarrar" a trama em um arco maior - e isso desde Arquivos X. 
 
Isto acontece por duas razões básicas, A primeira delas é que - pelo menos assim eu tenho percebido -, com o passar do tempo, o arco mitológico tende a se impor sobre os episódios one-shot - o que faz com que a série perca a vitalidade em si, podendo descambar para uma série de meta-intrigas e fosforilações intermináveis. A segunda razão é que arcos mitológicos - por mais intrincados e bem construídos que sejam -  tendem a eventualmente se resolver além de qualquer complicabilidade (inventei essa palavra) posterior, o que "quebra" o modelo mitologia versus monstro da semana de uma forma por vezes irreparável. 

Foi assim com Arquivos X : muito pouca gente se apercebeu, mas toda a trama de Arquivos X se resolveu do quarto para o quinto ano. Quando digo "se resolveu" digo exatamente isto: foi tudo inequívoca e absolutamente explicado. Por volta do meio do quinto ano, o expectador de X-Files moderadamente atento já sabia: (1) que fim levou a irmã de Mulder (e detalhes deste fim); (2) porquê (e por quem) ela foi levada;  (3) qual a relação do Canceroso com a família do Mulder; (4) qual a natureza exata da conspiração alienígena e (5) o que era e pra que servia - e de onde tinha vindo - o esquisitíssimo óleo negro. Ou seja: toda a trama que se constituia na mitologia da série já havia sido derrubada. Os quatro anos seguintes aconteceu o que todo mundo sabe: a série foi se arrastando de asa quebrada até um final um tanto quanto melancólico. Ela não sobreviveu à explicação de sua própria mitologia - e isto não é verdadeiro apenas para séries de TV.

Supernatural tem conseguido driblar de forma muito eficiente esta falha potencial do modelo através da contínua e operosa construção e reconstrução de mitologias uma em cima da outra. Desta forma, a saga do "demônio de olhos amarelos" deu origem à saga de Lilith, que deu origem a saga de Lúcifer, que deu origem à atual busca pelos "artefatos angélicos" espalhados pela Terra. Isso tudo de uma forma bem criativa, bem costuradinha - com um mínimo de transição perceptível. Eventualmente, no entanto, a saga dos irmãos Winchester terá de chegar ao fim: isto porque esta chegará a um ponto onde simplesmente não será mais possível escalonar os inimigos a serem combatidos. Existe, dentro do sistema de crenças judaico-cristão, um "teto" que não pode ser ultrapassado - e ao passar das meras escaramuças com demônios para a guerra civil celestial, Dean e Sam se aproximam, muito rapidamente, deste teto. Spoiler alert! Uma prova disto é a relativa facilidade com que eles dão conta - neste episódio - de uma entidade de status divino, o que comprova, de uma vez por todas, que eles não são mais o Dean e o Sam do primeiro ano.

Para mim, este episódio foi o melhor da temporada: única exceção feita ao Weekend at Bobby's", um episódio todo narrado pela perspectiva de um personagem - sejamos francos - absolutamente secundário mas que se mostrou extraordinariamente interessante - talvez justamente por reviver o aspecto humano que a dupla Winchester vem perdendo - de naco em naco - a cada temporada que passa.
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