6 de nov. de 2010

Mythbusters S05E17 - Mitos de Super-Heróis


Assisti esta semana novamente ao episódio dos Caçadores de Mitos sobre Mitos de Super-heróis. Já o tevo ter assitido umas 5 ou 6 vezes - geralmente enquanto estou fazendo outra coisa no computador - mas desta vez fiz um autêntico esforço para prestar alguma atenção. Isso só confirmou a minha impressão inicial: os mitos analisados simplesmente não me convenceram  como fã de quadrinhos. 

O Arpão do Batman:

O primeiro mito analisado - se é possível criar um mecanismo que lance um arpão e erga um ser humano ao topo de um prédio em uma velocidade compatível com a do Batman -  e que  foi dado como "detonado" - não me convenceu. Não sei quanto tempo levou desde as primeiras tentativas de Adam e Jamie de criarem o tal arpão até o resultado final - imagino que semanas ou no máximo meses pois eles devem gravar vários programas ao mesmo tempo - mas eu achei simplesmente impressionante o progresso significativo na construção da engenhoca. Se você extrapolar para um período de 10 anos de tentativa-e-erro com milhões de dólares à disposição e uma gigantesca corporação  multinacional por detrás, eu acho factível sim! Para mim este mito está desdetonado!

O Anel do Fantasma:

O mito baseado na história do Fantasma - na qual o herói "marca" os vilões com o anel da caveira, geralmente com um soco bem dado - foi particularmente falho. Eles (a Produção) esqueceram de ler os quadrinhos - ou seja, de fazer aquela pesquisa básica preliminar tão necessária antes de qualquer experimento científico. Por conta desta falha, eles acabaram por relacionar a "marca" deixada pelo anel do Fantasma com o uso de força física apenas. Se tivessem consultado ao menos a Wikipedia, saberiam que o Fantasma possui na realidade dois anéis: o da caveira - que todo mundo conhece - e um anel do "bem" ,com o qual ele marca as pessoas que são suas amigas. Toda vez que aparece ele marcando uma pessoa amiga com o anel do bem, ele só encosta o anel na pessoa e pronto - a marca aparece! Isto prova - dentro da lógica de quadrinhos, é claro! - que a marca não pode ser derivada da aplicação de força física simplesmente. Busted!

Nota Nerd: Quando criança, eu achava que era algum componente místico no anel que faria surgir a marca - coisa que o famigerado filme com Billy Zane  quase que deu a entender. Hoje eu sei que isto não faz o menor sentido (vejam o quanto eu cresci!) pois o  Fantasma - como o Super-Homem, o Batman e a Mulher Maravilha (esta na sua concepção original dos anos 40) - eram heróis científicos - e não poderiam ter nem um grão de misticismo na sua estrutura narrativa sem desacreditar toda a história. Na verdade, quando criança mesmo, eu comecei a achar que a marca da caveira era devido a alguma reação química desconhecida - e, com toda a certeza, teria sido bem mais legal se os Caçadores de Mitos tivessem seguido esta abordagem.

Troca de roupa em cabine telefônica:

Eu tive a impressão que este mito foi colocado ali de forma mais ou menos gratuita - só para se ter uma desculpa para se vestir o trio de sidekicks com roupas de super-heróis. Aqui, mais uma vez, faltou pesquisa da Produção, pois o mito da troca de roupa em cabine telefônica é tipico do Super-homem - que tem, evidentemente, supervelocidade. Eu teria achado muito mais legal se eles tivessem abordado, por exemplo, o conceito - utilizado nos quadrinhos do Flash - de um uniforme comprimido ao ponto de caber num recipiente do tamanho de um anel. Busted por falta de pesquisa!

Curva de 90 graus com o Batmóvel (digo, Mitomóvel):

Na minha opinião, este foi - disparado - o melhor! (sem trocadilho!) Poderia ter sido feito um programa inteiro só com mitos de Batmóvel: se um par de para-quedas são mais eficazes para se desacelerar um carro em alta velocidade do que o freio, etc. Não acho que isso venha a acontecer  de fato algum dia, mas sempre podemos sonhar! =)

Dexter - S05E06 - Everything Is Illumenated

 Spoiler Alert! No último episódio de Dexter, ficou bem claro para mim que uma das tramas a serem exploradas nesta Temporada é a já tão batida tentativa do pobre Dexter de "criar" uma duplicata dele mesmo. Se a relação com Lila (Segunda Temporada) tivesse continuado, não tenho dúvidas que o Sargento Doakes seria a pedra fundamental de um prolífica carreira como incendiária. O Promotor latino da Terceira Temporada foi outra tentativa frustada - que dispensa comentários maiores. Se incluirmos o garoto que comete suicídio na Primeira Temporada e o  próprio Harrinson na Quarta Temporada, veremos que esse tema é uma das linhas mestras da série. Tenho Fé na Lumen - e queria que tudo desse certo para eles. Ela, de certa forma, preenche as características da própria Rita no começo da série (super damaged!) - além de possuir alguma semelhança física. Não é difícil de se imaginar algumas situações possíveis de se acontecer no desenvolvimento da trama: Debra flagrando o Dexter em alguma situação com a Lumen, por exemplo (e lhe dando uma bronca) - ou mesmo o desenvolvimento de uma autêntica conexão entre os dois, quem sabe?

3 de nov. de 2010

Supernatural - S06E06 - You Can't Handle the Truth


O episódio desta semana de Supernatural foi (mais) um excelente episódio de umas dasmelhores da melhor temporada até agora. Confesso que quando assisti aos primeiros episódios da saga dos Winchester - pela Warner - achei que esta não fosse durar muito. O final bombástico da primeira temporada, no entanto, ajudou a catapultar esse pensamento para longe - e, desde então, a série tem sido uma sequência de gratas surpresas. Eu tenho uma desconfiança natural quanto a séries que usem o modelo adotado por Supernatural - modelo este que alterna episódios do tipo "monstro da semana" com a construção em paralelo de uma mitologia que se propõe a "amarrar" a trama em um arco maior - e isso desde Arquivos X. 
 
Isto acontece por duas razões básicas, A primeira delas é que - pelo menos assim eu tenho percebido -, com o passar do tempo, o arco mitológico tende a se impor sobre os episódios one-shot - o que faz com que a série perca a vitalidade em si, podendo descambar para uma série de meta-intrigas e fosforilações intermináveis. A segunda razão é que arcos mitológicos - por mais intrincados e bem construídos que sejam -  tendem a eventualmente se resolver além de qualquer complicabilidade (inventei essa palavra) posterior, o que "quebra" o modelo mitologia versus monstro da semana de uma forma por vezes irreparável. 

Foi assim com Arquivos X : muito pouca gente se apercebeu, mas toda a trama de Arquivos X se resolveu do quarto para o quinto ano. Quando digo "se resolveu" digo exatamente isto: foi tudo inequívoca e absolutamente explicado. Por volta do meio do quinto ano, o expectador de X-Files moderadamente atento já sabia: (1) que fim levou a irmã de Mulder (e detalhes deste fim); (2) porquê (e por quem) ela foi levada;  (3) qual a relação do Canceroso com a família do Mulder; (4) qual a natureza exata da conspiração alienígena e (5) o que era e pra que servia - e de onde tinha vindo - o esquisitíssimo óleo negro. Ou seja: toda a trama que se constituia na mitologia da série já havia sido derrubada. Os quatro anos seguintes aconteceu o que todo mundo sabe: a série foi se arrastando de asa quebrada até um final um tanto quanto melancólico. Ela não sobreviveu à explicação de sua própria mitologia - e isto não é verdadeiro apenas para séries de TV.

Supernatural tem conseguido driblar de forma muito eficiente esta falha potencial do modelo através da contínua e operosa construção e reconstrução de mitologias uma em cima da outra. Desta forma, a saga do "demônio de olhos amarelos" deu origem à saga de Lilith, que deu origem a saga de Lúcifer, que deu origem à atual busca pelos "artefatos angélicos" espalhados pela Terra. Isso tudo de uma forma bem criativa, bem costuradinha - com um mínimo de transição perceptível. Eventualmente, no entanto, a saga dos irmãos Winchester terá de chegar ao fim: isto porque esta chegará a um ponto onde simplesmente não será mais possível escalonar os inimigos a serem combatidos. Existe, dentro do sistema de crenças judaico-cristão, um "teto" que não pode ser ultrapassado - e ao passar das meras escaramuças com demônios para a guerra civil celestial, Dean e Sam se aproximam, muito rapidamente, deste teto. Spoiler alert! Uma prova disto é a relativa facilidade com que eles dão conta - neste episódio - de uma entidade de status divino, o que comprova, de uma vez por todas, que eles não são mais o Dean e o Sam do primeiro ano.

Para mim, este episódio foi o melhor da temporada: única exceção feita ao Weekend at Bobby's", um episódio todo narrado pela perspectiva de um personagem - sejamos francos - absolutamente secundário mas que se mostrou extraordinariamente interessante - talvez justamente por reviver o aspecto humano que a dupla Winchester vem perdendo - de naco em naco - a cada temporada que passa.

2 de nov. de 2010

Nerdcast 232 - Monstros

Este post é escrito especificamente para os que ouviram o Nerdcast 232 e 233. Se você chegou aqui por algum motivo e não os ouviu vá aqui e aqui - e depois retorne. 
  
Ouvindo a leitura de e-mails do Nerdcast 233 - me incomodou a dificuldade do JN e do Azaghal em definir o conceito de monstro - justamente que havia sido o tema do Nerdcast anterior- "Dragões, monstros e o impronunciável Cthulhu". Este post é uma tentativa de colocar alguma luz sobre este conceito - que é, por sua própria natureza, refratário a esta iniciativa. 

Definido o que é "monstro":

O conceito de " monstro" deriva de três noções básicas que se articulam:

(1) Existe uma Ordem no mundo;
(2) Esta Ordem não é perfeita - e, ocasionalmente, falha;
(3) Quando esta Ordem falha - aí, neste vão, neste espaço, surgem os monstros.

(Poder-se-ia argumentar aqui que a falha na Ordem é - por si só - um Ordem em si mesma  - mas não vamos entrar neste debate - por demais filosófico para este Blog.)

Estes três conceitos ficam fáceis de se entender a partir da contemplação do quadro de Goya (ao lado), intitulado "O Sono da Razão Produz Monstros". A razão, aqui, não é a razão humana - mas a razão na Natureza - o princípio de Ordem  e razão presente na Natureza.

Como base nestes três pressupostos o monstro - seja ele qual for - é sempre exceção e sempre um desvio da Ordem natural das coisas - é sempre algo que não deveria existir. Muitas vezes, também, os monstros se localizam/originam de lugares ermos ou inacessíveis - o que serve para representar fisica e geograficamentemente o seu caráter de exceção. O monstro, além disso, tipicamente se propaga - quando tal ocorre, de forma não-biológica e não-natural - ou possui uma duração indefinida, o que o exime da necessidade de reprodução. 


Respondendo às dúvidas do Nerdcast:

Desta forma, usando a lista dada pelo próprio Nerdcast (leitura de e-mails do 233) como exemplo:
 
Gremlins (os do filme de mesmo nome) são monstros.
Lobisomens - como em The Wolfman (2009) - são monstros. Lobisomens - como em Anjos da Noite (2003) - não são.
Drácula - de Lugosi, de Lee ou como em Bram Stoker´s Dracula (1992), por exemplo - é um monstro.
A Múmia - como no clássico de 1932, The Mummy bem como na versão-pipoca de 1999 com  Brendan Fraser - é um monstro.
Frankenstein - de Karloff, por exemplo, mas também o Mary Shelley's Frankenstein (1994) - também é.
Zumbis sobrenaturais são monstros. Zumbis científicos não são.
O caminhão de Encurralado e o Tubarão - de Jaws - não são monstros
Freddy Krueger é um monstro (como não?). 

Detalhando: 

Gremlins: tanto na sua forma Mogwai quanto na forma réptil - são monstros, porque: (1) existem em caráter de exceção (quem lembra bem do primeiro filme de 1984, nã ovai deixar de perceber que o Mogwai é tratado como um "animal" raro/exótico); (2) se reproduzem de forma não-biológica (quantos animais você conhece que se multiplicam ao se adicionar água?). 
Lobisomens: os Lobisomens do filme recente (e belíssimo) The Wolfman (2009) são seres de exceção - que só existem em um local (vilarejo) remoto, etc. - e  se propagam de forma, evidentemente, não-natural. 
Já os Lobisomens (e também os Vampiros)  vistos em Anjos da Noite (2003) e que se constituem em uma verdadeira comunidade de existência paralela à da Humanidade não são monstros - são, no máximo, um espécie diferente da humana, com peculiaridades próprias. 
Drácula: o Drácula do livro de Bram Stoker é de fato o monstro por excelência: existe em caráter de exceção (não há menção a outros vampiros no livro - tirando, evidentemente, as "noivas") e em lugar remoto não-sujeito às leis da civilização (algum lugar dos Cárpatos,  "esta terra onde o diabo ainda caminha com pés humanos", como o infeliz Johnatan Harker escreve em seu diário). Menções no Cinema - e posteriormente nas séries de TV - a toda uma raça de vampiros existindo em paralelo à humana são invenções muito, muito recentes.
A Múmia: contanto no no clássico de 1932 - com Karloff - bem como nos  dois primeiros filmes da Trilogia recente com  Brendan Fraser, a Múmia é encarada como um caráter de exceção. No  primeiro filme (1999), inclusive, é claramente colocado que o simples fato da Múmia ter retornado à vida é algo tão grave, tão sério, que desafia de tal maneira a ordem natural das coisas que o mundo começa a experimentar os sinais do Apocalipse. - ou seja, de ruptura iminente da Ordem. (No segundo filme isto é abertamente esquecido: e vemos a Múmia em forma plenamente humana andando pra lá e pra cá sem que nada de mais aconteça). 
Frankenstein: o simples fato de as pessoas se referirem ao monstro de Frankenstein já seria algum indicativo do seu caráter monstruoso. Aqui há algo interessante: no livro de Mary Shelley, a criatura chantageia o seu criador para que lhe construa uma companheira - esta também feita de pedaços de cadáveres. O plano do monstro - se não me falha a memória - é tomar a sua companheira e seguir para algum lugar ermo onde viveriam happily ever after. Não haveria nenhum impedimento - até onde eu imagino - de o  monstro de Frankenstein meramente raptar uma humana qualquer e seguir no seu intento - mas este quer que seja alguém igual a ele - e que partilhe do mesmo caráter de exceção em relação à Humanidade.
Zumbis: os zumbis sobrenaturais são monstros porquê representam uma violação da ordem natural ("Quando não houver mais espaço no Inferno os mortos caminharão pela Terra"): Já os zumbis científicos não são monstros: são, no máximo, pessoas doentes. Isto suscita um dilema ético importante pois, a qualquer momento, poderia surgir uma cura que os revertesse à normalidade. Eu, por mim, sou á favor da volta aos zumbis tipo Romero.
O caminhão de Encurralado: não é um monstro propriamente dito - pois não partilha de nenhuma carcterística "monstruosa" - mas foi tratado no fime como um monstro - como o JN bem ressaltou.
Tubarão: esse é realmente difícil. É fácil perceber que King Kong e Godzilla são monstros, mas o Tubarão (de Jaws) é complicado. Embora este também tenha sido tratado de forma algo monstruosa no filme - do mesmo Spielberg - um tubarão é um tubarão - e, verdade seja dita, o número de vítimas humanas fatais por ataque de tubarão é insignificante perto do que nõs como espécie fazemos com os tubarões todos os anos (são milhões de mortos). Neste caso, nós somos os monstros!
Freddy Krueger: quem lembra bem dos primeiros filmes de A Nightmare on Elm Street (e o título já diz tudo: "Um Pesadelo na Rua Elmo") sabe que a origem de Freddy Krueger está ligada a algo que aconteceu na cidade de Springwood - e sua atividades oníricas estão especificamente relacionadas aos filhos das pessoas responsáveis pela sua morte. Inclusive, se bem me recordo, haveria uma limitação para o alcance de sua atividade - que não se extendia além dos limites da cidade,  pelo menos em alguns dos filmes. (A mesma coisa ocorre com Jason Voorhees que - pelo menos nos primeiros filmes - tem a sua existência e raio de atuação mais ou menos ligada a Crystal Lake.)

E Cthulhu?

Sobre a discussão de Cthulhu ser monstro ou alienígena esta é uma questão de díficil resolução - e muito provavelmente assim o é porquê Lovecraft nos quis deixar mesmo na dúvida. Embora, por um lado, Cthulhu pertença a uma espécie (embora de origem "nas estrelas") bem definida - que teria reinado na Terra antes da Vida como a conhecemos ter evoluído - por outro lado, ele e os da sua espécie não existem exatamente no mesmo contínuo espaço-tempo que a espécie humana - eles existem "no espaço entre os mundos" - ou seja, nos intervalos na Ordem. 

Na mitologia Lovecraftiana, a existência da espécie humana é tão mais episódica, é tão mais acidental, tão mais fortuita e frágil que todo o restante do Universo que - dentro desta mitologia, o ser humano - em toda a duração de sua espécie na Terra - é, na verdade, o  verdadeiro monstro. Assim, quando se diz que Cthulhu dorme e que, quando este acordar a espécie humana terá fim, podemos claramente perceber que - nesta visão Lovecraftiana - Cthulhu é o sonhador do quadro de Goya - e a espécie humana são os seres que só existem enquanto este se encontra adormecido.

Respondido, Azaghal? =)

The Walking Dead (2010)

Assisti o primeiro episódio de The Walking Dead  de espírito aberto, tentando não fazer comparações com a HQ - que já tinha conhecido previamente e adorado! Posso dizer que fiquei bastante satisfeito com o resultado desta adaptação que - com toda  a certeza - agradará a todos aqueles que leram e gostaram do comics - como eu - e também aqueles que não estão familiarizados com as desventuras do policial caipira - e nosso (anti-)herói - Rick Grimes. Na verdade, só uma coisita me incomodou - uma coisita de nada, piquitita, mas que acredito  que vale a pena falar aqui.

Já tivemos a ocasião de falar aqui dos dois tipos de zumbis: os zumbis científicos e os zumbis sobrenaturais - e das importantes diferenças entre eles. Me parece existir uma contradição na maneira como os zumbis foram representados neste primeiro episódio de The Walking Dead: se por um lado eles são bem ágeis - o que os coloca do lado dos zumbis científicos - por outro lado, o nítido processo de decomposição definitivamente os coloca na categoria de zumbis sobrenaturais. Embora eu compreenda que o que  muito provavelmente aconteceu aqui foi uma tentativa de aliar as "melhores" características de cada tipo de zumbi - a agilidade dos científicos e a escatologia dos sobrenaturais - isso francamente me incomoda.

Eu tive a impressão - na HQ - que os zumbis do Universo de The Walking Dead eram aberta e claramente sobrenaturais. Um dos argumento a favor desta hipótese é que - na HQ - todo mundo que morre - independentemente do motivo/causa mortis - torna-se zumbi quase que imdiatamente após a morte: e um sinal gráfico disto - novamente referindo à HQ - é  justamente um "clarão" que cerca o recém defunto após o trespasse.

Além disso, na HQ, os zumbis muito excepcionalmente se movem em uma velocidade superior à de uma pessoa normal caminhando sem pressa - donde o nome "Walking" Dead, os mortos que "caminham". Na cena da cidade, achei que alguns zumbis estavam excessivamente "empolgados" em perseguir o nosso herói caipira. Como metade da alegria de se assistir uma adaptação - de qualquer coisa - é justamente reparar nestas desemelhanças, acredito que estas pequenas incoerências serão mais uma fonte de interesse - e posts - para os próximos episódios. 

Em tempo: no dia 05/11 às 22 horas (aqui no RJ, pelo menos) o NatGeo pega uma caroninha no hype com o documentário "A Verdade sobre os Zumbis". Vou tentar assistir! 

Nota Nerd: A Revista Galileo, por sua vez,  publicou nesta sua última edição uma pequena reportagem sobre os mortos-vivos, na qual cita especificamente a estréia de The Walking Dead. Achei o link para a reportagem aqui. Vale a pena ler toda a matéria, mas o destaque vai para o pequeno Guia ao final de "Como Sobreviver a um Ataque Zumbi", muito bem escritinho - e muito divertido. Só uma incorreção, ao meu ver: a reportagem refere o surgimento do zumbi científico ao filme Extermínio (2002) quando, na realidade, se fossêmos buscar uma origem histórica, acertaríamos mais se os relacionássemos ao filme Resident Evil, do mesmo ano - este, por sua vez derivado do jogo para PS bem anterior (1996).

1 de nov. de 2010

Monster (2005)




Monster é um anime de 2005 baseado - como é de regra no reino dos animes - em um mangá anterior de mesmo nome (2002). São 74 episódios densos, pesados, incrivelmente bem dirigidos e - em sua maioria - fascinantes. Neles acompanhamos a trajetória do Dr. Tenma - médico brilhante e idealista - e de seu antagonista - o Monstro do título. Estes dois representam - por assim dizer - os pólos extremos da moralidade humana - o Bem e do Mal - sendo que, no intervalo entre um e outro, desfilam os mais interessantes personagens - compostos, cada qual, de alguma mistura destes dois princípios eternos.

A trama serpenteia e nos surpreende com as mais extraordinárias reviravoltas e desfechos e não encontrei até agora (estou no capítulo 62) um episódio ruim - ou mesmo mediano. Muito embora - como é de se esperar - em uma trama tão longa devam existir episódios cuja função é meramente "ligar" os arcos maiores da história que está sendo contada, mesmo assim, estes episódios de ligação não decepcionam e guardam sempre alguma surpresa para quem os assiste.  

Monster é, de fato, uma obra-prima dos animes que merece ser conhecida - principalmente para os não-apreciadores de animes.

Merlin S03E08 - The Eye Of The Phoenix - 2010


Merlin é Smallville com Magia. 

O último episódio, The Eye Of The Phoenix , surpreende ao aproximar a trama do seriado com a mitologia: ao introduzir a figura do Rei Pescador - tão importante para o ciclo arturiano - já nos minutos iniciais do episódio (pré-abertura). A participação especial de Warwick Davis - o personagem-título do clássico Willow na Terra da Magia (1988) e também da série O Duende - foi - para mim - uma grata surpresa.

Eu confesso que estava algo decepcionado com o desenrolar do seriado desde o seu retorno. Quando a terceira temporada de Merlin se iniciou, achei que os personagens principais  - supostamente adolescentes - estavam muito diferentes, demasiadamente crescidos e com os rostos estranhamente angulosos - pensei até que era a maldição de Harry Potter fazendo mais uma vítima. Morgana, por sua vez, começou a fazer risadinhas malignas aqui e acolá - apenas quando ninguém esta olhando, claro, para não despertar suspeitas. Os episódio do tipo monstro-da-semana (ou, pior, vilão-da-semana) passaram a ganhar mais destaque (e o que foi aquele episódio do Goblin, pelo Amor de Deus!). O episódio The Eye Of The Phoenix, no entanto, reacendeu as minhas esperanças - senão de uma reversão total da situação, pelo menos de um desfecho condizente com o ritmo das duas temporadas anteriores. No resta - apenas - esperar para ver!

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