26 de ago. de 2010

Rituais de Fé no Discovery

Imagine-se na seguinte situação: (1) você é convidado a visitar um culto de uma Igreja da qual você nunca ouviu falar; (2) você chega lá e o templo está cheio, entupido de gente; (3) como você é o convidado de honra, te reservam um lugar na frente, de cara para o que parece ser um altar; (4) lá pelas tantas, entram - não necessariamente nesta ordem - um sacerdote, uma cabra amarrada e um facão enorme. Quando você deduz o que vai acontecer, começa a olhar para o lado buscando a saída: o problema é que ela está bloqueada por um monte de gente. Você acaba sendo obrigado a ficar onde está e acompanhar tudo até o final - e enquanto isso tem um cinegrafiasta filmando todas as caras que você faz. Isto é Rituais de Fé - e passa no Discovery.

Tenho aprendido a gostar de acompanhar as viagens do Pastor Peter Owen Jones em sua busca para conhecer as diferentes práticas religiosas e espirituais ao redor do globo. Em particular, tenho assistido acada novo episódio esperando por aquele momento no qual ele invariavelmente se descobre colocado em uma situação na qual ele não tem como sair. Fico imaginando o trabalhão que a equipe dele deve ter para encontrar estas saias-justas e fazê-lo entrar nelas. A expressão de desespero no rosto dele é extraordinariamente divertida - para dizer o mínimo. Pra quem só está assistindo - sentado confortavelmente na poltrona - é uma festa.

Peter Owen Jones é o Bear Grylls do universo religioso.


Descendents / Solos (2008)


Acabei de assistir Descendents, um filme de 2008 que, como muitos dos pertencentes ao nobre gênero inaugurado por Romero, nos apresenta a um futuro pós-apocalíptico devastado por zumbis. A diferença aqui - e o que torna esse filme único - é uma só: a história é quase toda narrada  sob a perspectiva de crianças. No Universo do filme, por algum motivo, certas crianças passaram a nascer  imunes não só ao contágio mas também aos ataques dos "infectados" que pululam pelas cidades meio que em ruínas (falamos aqui de zumbis científicos, como já discutimos em outro post). Esta perspectiva narrativa singular confere ao filme uma atmosfera de absoluta desesperança - que pode ser considerada intensa até para os padrões do gênero. A fotografia é em preto-e-branco ou, antes em uma sépia embolorada que ressalta a todo instante a vida se esvaindo daquele mundo - a única exceção aqui é o sangue que, em todas as vezes que aparece, é vividamente vermelho. A narrativa é caótica e por vezes oscila entre as memórias da protagonista e lampejos do que está por vir. Todo este conjunto produz como resultado uma obra perturbadora e, ao mesmo tempo, atraente do ponto de vista estético - coisa rara de se ver em uma produção sulamericana.

Dica: após os créditos finais fique atento para os easter eggs!

25 de ago. de 2010

Trailer - Bellini e o Demônio


Vi meio que por acaso, em um Canal Brasil destes da vida, o Trailer do filme nacional  Bellini e o Demônio, aparentemente inspirado em um livro do mesmo nome. Estrelado por Fábio Assunção - e não consigo imaginar alguém melhor como protagonista - pareceu-me uma mistura de Coração Satânico e O Último Portal. Acho incrível que todos - tudo bem não todos, mas uma boa parte - dos filmes basileiros de Terror tem sempre uma cena de religião afro-derivada: me parece meio lugar comum ou, simplesmente, falta do que colocar.  A cena com as duas freiras me pareceu demasiado semelhante a uma cena análoga do (primeiro) Hellraiser - o que não é de todo ruim pois, pelo menos, indica alguma pesquisa de base. Confira o site oficial aqui.

24 de ago. de 2010

Trailer - The Walking Dead

Assisti hoje ao Trailer de The Walking Dead e achei bastante promissor. Segundo o que li, serão 06 episódios de 1 hora inspirados nos comics. Vamos aguardar para ver o resultado final. Fingers crossed. O Trailer pode ser visto no link no final deste post. Agora, o mais importante: as minhas considerações.

Uma diferença que observei em relação aos quadrinhos é a natureza bem mais dinâmica dos zumbis vistos no trailer - com direito, inclusive, a expressões fisionômicas, coisa impensável nos comics. Isto pode ser - e aqui estou absolutamente teorizando, pois não li nada a respeito - um indício de que os zumbis retratados no filme serão bem mais científicos e menos sobrenaturais que o retratado na série em quadrinhos. Isto parece ser uma tendência de mercado - por assim dizer - e talvez represente uma tentativa de tornar o produto mais palatável para as massas. 

Para os não versados na moderna ciência dos zumbis, segue um rápido descritivo das duas espécies de mortos-vivos que podemos encontrar nos filmes e quadrinhos:

Zumbis científicos tendem a ser o resultado de infecções (criadas pelo Homem ou não), tendem a ser mais ágeis que as suas versões sobrenaturais e muitas vezes não estão realmente mortos - apenas infectados. O fato de os zumbis científicos serem o produto de uma infecção possibilita  a busca de uma vacina/cura como elemento de roteiro (mas isto é um recurso raramente utilizado). Também a conversão de uma pessoa em zumbi se faz geralmente apenas pelo contato direto (mordida, fluidos, etc.). Exemplos de filmes com zumbis científicos são  Resident Evil, 28 Days e o recente Zombieland. 

Zumbis sobrenaturais tendem a se mover mais lentamente, exibir mais sinais de decomposição que suas contra-partes científicas e são mais difíceis de se exterminar - uma vez que partes soltas, como troncos sem pernas, por exemplo, podem permanecer em movimento e constituir ameaças. A conversão se dá geralmente de forma automática: se algum personagem morrer por qualquer causa que seja, ele se transformará em zumbi, pelo simples fato de estar morto. Isto acontece de forma bem clara nos quadrinhos de Walking Dead: todas as vezes que um personagem morre, ele é atingido por um "brilho" e se torna um zumbi. Exemplos de filmes com zumbis sobrenaturais são todos os filmes de Romero - os melhores do seu gênero, na minha opinião. 

Confira o Trailer de The Walking Dead clicando aqui.

Em tempo: o MonsterQuest de hoje é sobre a Atlântida: isso não é meio off-topic?

22 de ago. de 2010

Nurarihyon no Mago - ぬらりひょんの孫 - Episódios 01 a 05


Nurarihyon no Mago é um dos animes da nova temporada Japonesa que vale a pena conhecer - se você gosta de animes. A impressão que tive ao assistir o primeiro episódio foi que estava diante de um Inu Yasha passado inteiramente no mundo moderno, no qual os Yokais se recolheram do mundo humano e passaram a organizar de um modo que lembra muito as famílias criminosas da Yakuza.

A trama se centra em um garoto aparentemente normal, herdeiro involuntário de uma grande clã Yokai - e ele mesmo 1/4 Yokai, por parte de seu avô. Apesar de só querer saber de ir à escola e não mostrar interesse pelos "negócios" da família, o jovem Riku possui um segredo: à noite, ele adquire o poder de se transformar em um Yokai super-poderoso - uma espécie de versão futura dele mesmo - que, ao contrário de sua versão criança, deseja ardentemente se tornar "O Terceiro": o líder máximo de todos os Yokais. Neste processo, ele deve lutar contra os clãs Yokais que não desejam ver um ser parcialmente humano no comando, fazer alianças com os demais clãs e, ao mesmo tempo, esconder a sua real natureza de seus coleguinhas de escola (todos eles obcecados com Yokais).

Nota Otaku (sobre o significado do termo Yokai): muito embora no Brasil se tenha optado por traduzir a palavra Yokai por "demônio" - lá desde os tempos de Inu Yasha, cada vez mais eu me convenço de que esta não é de forma alguma uma tradução adequada. Eu tenho para mim que uma tradução muito mais correta para Yokai seria "assombração". Isto fica bastante evidente neste anime, ao meu ver, quando um dos coleguinhas de Riku diz que "Yokais costumam morar em casas velhas como a dele" (de Riku ). Devemos lembrar que estamos tratando aqui de criaturas do folclore popular japonês, o qual foi totalmente alheio a influências do cristianismo por boa parte da sua história. Também a motivação primária dos Yokais em causar "medo" nos humanos - e não corrompê-los, tentá-los ou os induzirem a cometer atos criminosos - os torna muito mais parecidos com fantasmas - do que com qualquer outra coisa. Nos filmes de terror japoneses não é diferente: cerca de 95% destes filmes são centrados em fantasmas (e por isso são - muitas vezes - chatos para os padrões ocidentais). Não existe, na cultura japonesa, ao que parece, a extraordinária proliferação de criaturas sobrenaturais que temos aqui no Ocidente (vampiros, lobisomens, zumbis, etc.) mas, ao contrário, os seres do outro mundo são, basicamente, egressos deste.

Em tempo: uma (rara) exceção do que eu disse na nota acima é o anime High School of the Dead - outra estréia desta temporada. Os três primeiros episódios são muito bons e lembram um filme de George Romero - só que em formato anime. Os episódios seguintes, no entanto parecem se concentrado mais nas protagonistas que nos zumbis propriamente ditos - com lamentável resultado. Uma das grandes decepções da temporada - ao lado de Occult Academy (世紀末オカルト学院, Seikimatsu Okaruto Gakuin) - na minha opinião.

Enterprise (2001): Minha Mini-maratona pessoal - Segunda Temporada - Episódios 02 a 13.

Retomei a minha mini-maratona de Star Trek: Enterprise, como prometido, a partir do primeiro one-shot da segunda temporada. Até tentei assistir Shockwave, o episódio final da primeira temporada - que faz dupla com o primeiro episódio da segunda - mas não deu: após um início brilhante, no qual a tripulação da Enterprise se vê como responsável pelo extermínio de um grupo de colonos, a trama - que tinha tudo pra ser muito boa - muda, de repente, para aquele bla-bla-bla de guerra fria temporal, sulibans, etc. Boring. Pulei esse episódio e o seguinte e fui parar em Carbon Creek.

Carbon Creek: durante um jantar, T'Pol partilha com o capitão Archer e Trip o que seria a verdadeira história do primeiro contato dos Vulcanos com a Terra - só que nos anos 50. O episódio é, facilmente, um dos melhores momentos de  Star Trek ever - não estou falando apenas de Enterprise, mas de toda a franquia Star Trek! O tema de choque cultural, que é um dos pontos fortes de Star Trek, é aqui trabalhado à perfeição. 

Nota Trekker (contém minor spoilers): Após assistir o episódio, fiquei me perguntando o porquê de T'Pol se dar o trabalho de contar a verdade por detrás do primeiro contato para desmenti-la no final. Desenvolvi a teoria de que tudo foi um estratagema para, de alguma maneira, fazer chegar a informação ao Comando da Frota - uma vez que tanto Archer quanto Trip devem se sentir obrigados a fazer alguma espécie de relato daquilo tudo. A cena final me levou a crer que a a história toda pode ser um segredo de família - do qual o Alto Comando Vulcano não tenha conhecimento - passado de geração em geração. Pode ser.

Minefield: neste episódio temos o primeiro contato com os Romulanos. A parte central deste episódio envolve o capitão Archer e o armeiro Reed e é muito - mas muito - bem conduzida. O personagem Malcom Reed, vivido pelo ator britãnico Dominic Keting, sempre me deu a impressão de não ter sido suficientemente desenvolvido, o que é realmente uma pena, pois me parecia ter muito mais a oferecer do que o engenheiro Trip, que ganhou destaque nos dois anos finais da série. Este episódio nos dá uma boa amostra do que poderia ser o personagem se tivesse sido mais bem trabalhado. 

Nota Trekker: mais um primeiro contato acontecendo teoricamente décadas antes do que deveria. Estas divergências entre a linha de tempo de Enterprise e a estabelecida pelas demais séries da franquia - em especial a série clássica - levou muitos fãs na época teorizarem que as aventuras do capitão Archer e sua tripulação teriam lugar em uma linha do tempo alternativa - o que, considerando que a trama recorre bastante ao recurso de viajar no tempo, é inteiramente plausível. Não vou aqui discutir este mérito mas isso pode ser considerado, de alguma forma, uma tendência da franquia - oficialmente assumida, parece, pelo recente longa para os cinemas (2009). 

Dead Stop: "não existe esta coisa de almoço grátis" - mas em clima space. Parece uma versão de  "O Cérebro de Spock" mas menos agressive. Sem charme, sem encantamento. 

A Night In Sickbay:  (pulei esse: a sinopse diz : "o capitão Archer passa uma noite na enfermaria da nave com seu cachorro doente" - pelo Amor de Deus!) 

Marauders: a Enterprise ajuda a defender uma colônia de mineradores assolada pelos Klingons.

Nota Trekker: eu nunca entendi e acho que nunca vou entender (e acho que nem foi feito pra se entender) esse tal de princípio de "não-interferência" da franquia Star Trek. Eu lembro que na série clássica tanto a Federação quanto o Império Klingon aliciavam planetas inteiramente rurais - sem qualquer tecnologia que merecesse este nome. Eu acho que é o tipo de coisa que funciona só quando eles querem: pra sair de uma saia justa, pra evitar uma decisão difícil, ou para ter alguma coisa que dizer logo antes de entrar em dobra, etc. Este episódio é uma clara evidência de que, quando se quer, a não-interferência é chutada para o alto sem a menor dó: é tudo política! 

The Seventh: T´Pol, Archer e Tostines (alferes Mayweather) tem de recapturar um prisioneiro Vulcano foragido. Neste episódio aprendemos que o Alto Comando Vulcano infiltrou diversos agentes de inteligência em uma sociedade qualquer - que estes foram cirurgicamente alterados para parecer com os locais. A missão destes agentes era  assumir posições de comando na rede criminosa do planeta a fim de obter as informações para desbaratá-la. ("Não-interferência", sei.) Episódio muito fraco, ao meu ver. Bruce Davison - que aqui no Brasil é mais conhecido como o pai da família de "Um Hóspede do Barulho" - rouba a cena sempre que abre a boca. O alferes Mayweather está perfeito neste episódio: seja como encosto de parede, como peso de porta e outras participações dignas do seu calibre. 

The Communicator: este é um plot já estabelecido desde a série clássica: a equipe de desembarque retorna de uma visita a um planeta menos desenvolvido tecnologicamente e percebe que esqueceu por lá um comunicador. A diferença é que na série clássica o pessoal simplesmente "deixava pra lá", fazia uma piadinha e seguia em frente - na série Enterprise, o pessoal volta para procurar o bendito comunicador e acaba causando um incidente muito pior. Normal. Pelo que aconteceu, eu não me surpreenderia se o planeta entrasse em uma guerra mundial logo depois do final do episódio. (Em Stargate SG-1, que é a versão de Star Trek sem a tal da "não-interferência" isso aconteceu pelo menos duas vezes que eu lembro.) 

Singularity: num dos episódios com uma das premissas mais interessantes da temporada, aprendemos - entre outras coisas - a origem do "alerta tático" - visto em todas as outras séries da franquia. Afetada por uma radiação rara, a tripulação da Enterprise começa a desenvolver - em massa - transtorno obsessivo compulsivo. Desta forma, cada personagem passa a exibir comportamentos que nos mostram muito de suas verdadeiras personalidades. Muito bom.

Vanishing Point: Hoshi supera um medo antigo, yada, yada, yada. Se quer um conselho, pule este.

Precious Cargo: Trip se envolve com uma princesa alienígena. Pule este, ou assista em FF. 

The Catwalk: após dois episódios bem fracos, um bom episódio! Este episódio possui como diferenciais: (1) o fato de não centrado em um único personagem, mostrando a tripulação da nave - talvez pela primeira vez - como uma equipe e (2) por mostrar algo da relação da tripulação com a própria nave. 

Dawn: uma versão Enterprise de Inimigo Meu. Picard já tinha feito algo parecido. 

Stigma: T'Pol descobre possuir uma doença rara - que é vista com preconceito pela sociedade Vulcana. A metáfora para DST/AIDS é aqui bem evidente - e me pareceu bem-intencionada -  mas não é muito bem conduzida. 

Paramos por aqui, mas o que já fica bem claro, olhando retrospectivamente, é o extraordinário declínio da qualidade dos episódios nesta segunda temporada (se comparada com a primeira) o que, muito possivelmente, foi o responsável pela dramática mudança de curso que vemos acontecer na terceira temporada - mudança de curso, para pior, em dobra máxima. Muitos fãs consideram a quarta temporada de Enterprise a melhor, mas, na verdade, o que acontece é que a terceira temporada é tão, mas tão ruim, que, qualquer coisa que venha depois parece muito melhor. E tenho dito. Felizmente, ainda restam alguns episódios da segunda, para nos ajudar a atravessar a midseason.

20 de ago. de 2010

Sherlock Holmes (2010) - Episódios 02 e 03

Assisti - finalmente - os dois últimos episódio de Sherlock Holmes e fico Feliz em dizer que estes não ficam em nada a dever ao piloto. Os episódios continuma loooongos (quase 90 minutos) mas não são cansativos, pelo contrário.

Alguns personagens (a Sargento e o Legista além da texting brunette) foram discretamente deixados de lado e a trama parece se concentrar mais na dupla Holmes-Watson. Os casos investigados deixam um pouco de ser crimezinhos comuns e passam a assumir ares de intriga internacional alucinadas - com direito a sociedades secretas e criptogramas estilo Dan Brown.

O clímax é extremamente bem construído, com um número respeitável de plot twists devidamente encadeados. Não considerei o antagonista convincente - mas é cedo para falar. Vejamos os desdobramentos da segunda temporada.

Por fim, sobre o comentário que anda rolando pela web se esta seria uma versão - digamos - gay de Sherlock Holmes, acredito que tal não seja bem verdade. Me pareceu mais que existe uma brincadeira dos roteiristas com o fato de dois homens (de seus  30 e poucos?) dividirem um apartamento e irem para todo lado juntos. Não me parece que vá além disso. Como diz uma velha piada: perguntaram a dois fãs de Star Trek se eles achavam que Kirk e Spock tinha um caso - e a resposta foi:

- "Não, mas gostamos deles mesmo assim."  

Em Tempo: procurando pelos nomes dos personagens que acima chamei de a Sargento e o Legista, encontrei isto aqui. Aparentemente, um filme de Sherlock Holmes com dinossauros (!) e Dominic Keting, o Reed de Enterprise. Não conhecia.
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