31 de out de 2010

Brimstone (1989)


Após um longo hiato, resolvi postar sobre esta série que passou por aqui pelo AXN de forma bem irregular - e que eu tive a sorte de assistir em tempos pré-banda larga.

A trama é muito, muito simples: 113 almas escapam do Inferno e cabe ao detetive Ezekiel "Zeke" Stone - ele também um condenado trazido de volta à vida - mandá-los de volta. Se conseguir cumprir a sua missão - assim, pelo menos, lhe prometeu o coisa ruim, vivido de forma magistral por John Glover (o mesmo ator que fez o pai de Lex Luthor em Smallville) - ganhará uma segunda chance na Terra. Se não conseguir... bom, digamos que ele não irá parar em nenhum lugar pior do que ele já esteve!

A série foi um fracasso fenomenal, não emplacando nem mesmo uma temporada completa. Acredito que isso possa ter acontecido, em parte, pela forma extremamente simpática com que John Glover "incorpora", por assim dizer, o seu personagem. O jogo de gato e rato entre o detetive Stone e o seu - digamos - contratante é, com toda a certeza, o ponto alto de cada um dos 13 episódios produzidos.

Algo que chama a atenção em Brimstone é a falta relativa de mulheres, o que se deve, talvez, ao fato de ser uma fábula tipicamente masculina - na qual a redenção do personagem-título é o tema principal e norteador de todos os episódios. 

Brimstone atrai sobremaneira pelo Universo mítico muito bem trabalhado. Os fugitivos- que na sua condição de ressuscitados são praticamente indestrutíveis - possuem apenas uma fraqueza: os olhos, que devem ser destruídos para findar a sua existência terrena. Todos os fugitivos são extremamente tolerantes ao calor, possuem grande capacidade de regeneração e também não sentem fome ou sede - estas características são como que resquícios de sua passagem pelo Hades. Este detalhe é interessante pois nos ajuda - por vezes - a identificar um vilão antes mesmo que este nos seja formalmente apresentado pela trama. Cada fugitivo possui também uma habilidade especial - que é tão maior ou mais desenvolvida quanto o tempo que ele passou lá por baixo. Como o detetive Stone passou apenas 15 anos defunto - e tem que lidar por vezes com fugitivos com milhares de anos de "apuro", digamos assim, de suas capacidades sobrenaturais - não é difícil imaginar que ele apanha consideravelmente em praticamente todo episódio.

A atenção a estes - e outros - pequenos detalhes criam um diferencial extraordinário para esta série prematuramente finda, ao meu ver. Temáticas semelhantes foram abordadas na série canadense The Collector (2004) e no recente Reaper (2007).

Em The Collector, o fato de o Diabo ser interpretado a cada episódio por um personagem diferente talvez tenha sido (quem sabe?) uma tentativa de se evitar que um ator que o interpretasse "roubasse" a cena - como quase aconteceu em Brimstone. Não deu certo.

Reaper praticamente surgiu natimorta ao escalarem o veteraníssimo ator Ray Wise (de Twin Peaks) para o papel do coisa ruim - e que praticamente "engoliu" o primeiro ano da série. Foi um espanto ter durado duas temporadas - apesar do estilo cômico-escrachado, sem se levar nada a sério.

Ambas as séries acima citadas são muito boas - e possuem os seus méritos próprios - mas quem gostou delas fará muito bem em procurar assistir Brimstone - pois com toda a certeza não se decepcionará.

Melhor episódio: Lovers (9)
Pior episódio: It's a Helluva Life (12)
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